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Ceni aceitou Jesus! E o milagre da ressurreição do Fla de 2019 aconteceu
Renato Mauricio Prado
Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.
A melhor sacada sobre a goleada de 5 a 1 do Flamengo sobre o Madureira, até então o único invicto do Carioquinha, foi de um internauta chamado Luís Paulo, nos comentários da live pós-jogo do meu canal no YouTube com José Ilan. Escreveu o inspirado rubro-negro:
“Ceni aceitou Jesus! Agora vai!”
Sim, ao que tudo indica, Rogério Ceni soube aproveitar os 14 dias da mini pré-temporada que teve com o elenco que conquistou o octacampeonato brasileiro – meio aos trancos e barrancos – para chegar à (feliz) conclusão de que o melhor caminho a trilhar era mesmo retomar o jeito de jogar do português (responsável pelo hepta).
Tal qual na gloriosa temporada de 2019, o Gabigol e Bruno Henrique garante o resto.
Sim, o oponente era o frágil Madureira, assim como fora o Bangu na primeira aparição dos titulares nesta temporada de 2021. Mas o mais importante nesses dois jogos foi ver o time rubro-negro voltar a encantar, com um futebol vistoso e eficiente, como não se via desde que Jorge Jesus resolveu voltar para Portugal.
A primeira prova de fogo desse renascido time rubro-negro será no próximo dia 11, contra o Supercopa do Brasil, em Brasília, no inacreditável horário das 11 horas da manhã – a CBF e a Rede Globo, realmente, não estão nem aí para a qualidade do jogo e a saúde dos jogadores.
Os atuais campeões da Copa do Brasil, dirigidos pelo competente lusitano Abel Ferreira, serão, com certeza, um oponente bem mais complicado e perigosíssimo, acima de tudo por sua reconhecida qualidade nos contra-ataques.
Exatamente por isso, muitos torcedores do Fla temem pela “avenida Isla/Arão” no lado direito da defesa, contra a velocidade de Rony e a efetividade de Luís Adriano. Faz sentido. Mas, não custa lembrar, essa é a maior aposta de Rogério Ceni (o recuo de Arão para a zaga e a escalação de Diego como primeiro volante) e, agora que “aceitou Jesus”, a única diferença marcante do seu time para o do português.
William Arão ainda tem claras dificuldades na zaga, principalmente em termos de posicionamento – falhou no gol do Madureira, assinalado por um atacante que ele ignorou na cobrança de escanteio. Mas é inegável que melhora muito a saída de bola do rubro-negro e contribui na armação, com passes verticais, como o que originou o gol de Gabigol, contra o Bangu.
Diego, por sua vez, subiu muito de produção ao jogar mais recuado e, mesmo com funções defensivas (que vem cumprindo com eficiência), tem se tornado peça importante no meio-campo, ao lado de Gerson e Arrascaeta. Até gol fez contra o Madureira.
O custo/benefício dessa escolha, bem sucedida contra adversários mais fracos, será posto à prova diante de rivais mais fortes, como o Palmeiras. Em caso de insucesso, Rogério sempre terá a possibilidade de voltar a jogar com dois zagueiros tradicionais caso queira – podendo também devolver Arão ao posto de primeiro volante.
São escolhas a serem feitas durante a temporada. Para os torcedores do Mais Querido, entretanto, o importante é que Ceni “aceitou Jesus”. E, voltando a jogar como em 2019, tudo fica mais fácil, e o Flamengo volta a ser forte candidato a todos os títulos que disputar.
Em tempo: como era mesmo aquela história de que era impossível voltar a jogar como nos tempos de Jesus, pois os treinos de cada treinador eram diferentes, as cabeças e convicções de cada um únicas, etc, etc?
Quanta bobagem…
Fonte: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/renato-mauricio-prado/2021/04/06/ceni-aceitou-jesus-e-o-milagre-da-ressurreicao-do-fla-de-2019-aconteceu.htm