Suzuki confirma nova Hayabusa para o Brasil; veja tudo que mudou

Arthur Caldeira

Arthur Caldeira, jornalista e motociclista (necessariamente nessa ordem) fundador da Agência INFOMOTO. Mesmo cansado de ouvir que é “louco”, anda de moto todos os dias no caótico trânsito de São Paulo.

Colunista do UOL

06/02/2021 04h00

A Suzuki finalmente apresentou a nova Hayabusa. Sem alterações desde 2008, a superesportiva chega a sua terceira geração com design novo, mais eletrônica e mudanças internas no motor, para atender ás leis de emissão de poluentes Euro 5.

Com as mudanças, a potência do motor passou de 197 cv para 190 cv, mas a velocidade máxima chega a 299 km/h, de acordo com a fábrica japonesa. Vale lembrar que a Hayabusa fez história como uma das primeiras motocicletas de série a romper a barreira dos 300 km/h.

A boa notícia para os fãs brasileiros da lendária esportiva é que a J.Toledo, representante da Suzuki no Brasil, já confirmou a vinda do modelo para o mercado nacional. Porém, não divulgou o preço, mas prometeu informar a data de lançamento em breve. Enquanto isso, confira todas as mudanças da nova GSX 1300R Hayabusa que deve desembarcar por aqui no Salão Duas Rodas 2021, mas já como modelo 2022.

Mais esbelta

Embora tenha mantido sua identidade visual, com linhas arredondadas, a nova Hayabusa teve sua silhueta reduzida e parece mais esbelta que as gerações anteriores. As novas carenagens e entradas de ar prometem manter o bom desempenho aerodinâmico, característico do modelo. E alcançou, segundo a Suzuki, um dos menores coeficientes de arrasto da categoria.

O conjunto óptico dianteiro, agora de LED, está menos arredondado e segue as linhas da família de esportivas GSX da Suzuki. As setas foram embutidas nas luzes de rodagem diurna (DRL). Na traseira, a lanterna ficou menor e também usa LEDs.

A “Busa”, como é conhecida pelos seus fãs, manteve as duas saídas de escapamento que conferem um visual ainda mais volumoso, mas harmônico à moto. As ponteiras estão mais retangulares e trazem catalisadores, para restringir a emissão de gases.

Motor de 1.340 cm³

O motor manteve a mesma base da segunda geração: quatro cilindros em linha, DOHC, 16 válvulas, arrefecimento líquido e 1.340 cm³ de capacidade. A Suzuki afirma ter feito diversas mudanças internas, não só para atender às leis de emissão, mas também para aprimorar a entrega de torque e potência em médios e baixos regimes.

Mas não existe mágica. Com a mesma capacidade e mais restrições, os números de desempenho caíram. O motor agora produz 190 cv de potência máxima a 9.700 rpm, contra 197 cv da geração anterior. O torque agora é de 15,3 kgf.m a 7.000 giros.

Bons números para qualquer motocicleta, mas um pouco decepcionante para os dias atuais. E até frustrante, para quem, como este que vos escreve, apostava em um novo propulsor maior, ou até mesmo superalimentado, como na Kawasaki Ninja H2.

Por outro lado, a Suzuki instalou um acelerador eletrônico (ride-by-wire) que, finalmente, permitiu a adoção do que há demais moderno em termos de controles eletrônicos e sistemas de auxílio à pilotagem.

Eletrônica de sobra

Ainda que com atraso perante à concorrência, a Suzuki investiu forte no pacote tecnológico da nova Hayabusa. Adotou uma unidade de medição inercial (IMU), que monitora a posição da moto em seis eixos. Isso permite uma atuação mais precisa dos inúmeros controles eletrônicos da moto.

A novidade fica por conta da nova geração do Suzuki Drive Mode Selector (SDMS), um seletor do modo de pilotagem. Batizado de “alfa”, o SDMS agora integra de forma simples, a entrega de potência, o controle de tração, o sistema anti-wheeling, os freios ABS combinados, o freio motor e até um assistente de partida em subidas.

Como sempre ficou entre uma superesportiva e uma aport-touring, a Hayabusa agora conta com Cruise Control (piloto automático), item muito útil para quem pretende fazer longas viagens. Vale destacar também o quick-shift bidirecional, que permite subir ou reduzir marchas sem o uso da embreagem.

Tudo é informado no painel, que manteve o mesmo layout analógico com quatro mostradores redondos, mas ganhou em uma pequena tela de TFT ao centro. Com leitura digital, a tela informa a marcha engatada, o nível de entrega de potência, o controle de tração, o modo de pilotagem e até mesmo a inclinação da moto em curvas.

Mercado

Embora as mudanças pareçam superficiais, são alterações importantes que colocam a lendária Hayabusa – e de certa forma, a Suzuki – de volta ao mercado das hiperesportivas. A Suzuki GSX 1300R Hayabusa, porém, vai enfrentar agora uma forte concorrência em termos mundiais.

Principalmente, da linha H2 da Kawasaki, composta por três versões: H2, H2R e H2 SX. Apesar de não estarem mais à venda no Brasil, os modelos contam com motor de quatro cilindros e 1.000 cm³ equipado com supercharger. Recheados de eletrônica, como a Busa, a superalimentação da Ninja H2 é um diferencial que pode atrair os fãs dessas motos esportivas superlativas.

Nos Estados Unidos, o preço da nova Suzuki Hayabusa GSX 1300R passou de US$ 14.800 para US$ 18.600 (cerca de R$ 100 mil) na cotação atual. Portanto, os consumidores brasileiros fãs da lendária Hayabusa podem começar a guardar dinheiro: o modelo não deve chegar por aqui por menos que isso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Fonte: https://www.uol.com.br/carros/colunas/infomoto/2021/02/06/suzuki-confirma-nova-hayabusa-para-o-brasil-veja-tudo-que-mudou.htm