Medvedev bate Tsitsipas e leva série de 20 vitórias à final contra Djokovic

Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: [email protected]

Colunista do UOL

19/02/2021 07h56

Quando saiu de quadra após vencer sua semifinal no Australian Open, Novak Djokovic lembrou da série de vitórias de Daniil Medvedev e disse que o russo é o homem a ser batido em Melbourne. Pois o sérvio terá essa chance no domingo. Nesta sexta, Medvedev foi superior em todos aspectos ao grego Stefanos Tsitsipas, fez 6/4, 6/2 e 7/5 e alcançou sua 20ª vitória consecutiva no circuito, conquistando a vaga na final do torneio australiano.

O russo de 25 anos, atual número 4 do mundo, não perde desde o ATP 500 de Viena, realizado na última semana de outubro do ano passado. Depois do evento austríaco, Medvedev foi campeão do Masters 1000 de Paris, do ATP Finals, da ATP Cup e, agora, soma seis vitórias em Melbourne.

A final do Australian Open será a segunda decisão de Daniil em um torneio deste nível. Na primeira, ele levou Rafael Nadal ao quinto set no US Open de 2019, mas acabou derrotado. Contra Djokovic, o histórico de Medvedev é desfavorável: são quatro vitórias do sérvio em sete partidas. O russo, contudo, venceu três dos últimos quatro confrontos.

Como aconteceu

Melhor no saque, nos ralis e nas devoluções. O placar do primeiro set mostra um 6/4 que não consegue refletir o domínio de Medvedev na parcial. O russo perdeu apenas seis pontos com o saque, e a maioria deles veio só no décimo game, com Tsitsipas salvando três set points antes de sucumbir. O grego não chegou a ter nenhum break point e, quando perdeu seu saque no quinto game, deu ao adversário a vantagem que Medvedev precisava para jogar ainda mais solto e confiante.

Além de sacar com muita potência (média de 200 km/h no primeiro serviço), conseguia incrível consistência com bolas profundas, o que limitava a capacidade ofensiva do grego. Quando a segunda parcial começou, Medvedev vencia 80% dos pontos longos, com pelo menos nove golpes. Tsitsipas não conseguiu mudar a dinâmica do jogo e, novamente sem ceder break points, o russo disparou no placar após conseguir uma quebra no terceiro game. Dessa vez, Stefanos venceu apenas três pontos com a devolução.

Tsitsipas tentou de tudo. Tentou jogar pontos mais curtos, tentou ralis mais longos, tentou subir à rede. Medvedev tinha resposta para tudo. Sem deixar o nível cair em momento algum, o russo já iniciou o terceiro set com uma quebra e, somando cinco winners, abriu 2/0 rapidamente. Daniil ainda teve dois break points para abrir 4/1, mas não aproveitou as chances e teve de pagar por isso. Com a torcida tentando empurrar Tsitsipas e fazendo cada vez mais barulho, Medvedev fez seu pior game na partida, cometendo três erros e finalmente perdendo seu saque.

O jogo ganhou em emoção, Tsitsipas confirmou seu serviço para fazer 4/3, e Medvedev teve seu serviço ameaçado outras vezes. Daniil, contudo, salvou um break point com um ace no oitavo game e escapou de 0/30 com mais grandes saques no décimo. Com o placar em 5/5, Medvedev posicionou-se muito atrás da linha de base para devolver. A estratégia deu certo. O russo fez Tsitsipas jogar todos os pontos, viu o grego errar junto à rede nos dois primeiros pontos e, com uma espetacular passada de backhand, chegou à quebra decisiva. Depois disso, foi só sacar para a vitória.

O que significa

Durante dois sets e meio, Medvedev deu uma aula de tênis. Variou bolas profundas e anguladas, mexendo e deixando Tsitsipas desconfortável, precisando atacar de posições incomuns e desagradáveis. No fim do terceiro set, o russo deu outra aula: de coragem. Pressionado, apostou em seu serviço, buscando as linhas e arriscando até segundos saques mais fortes. Deu certo, assim como o plano de devolver lá do fundão da quadra no 12º game. Assim, o russo conseguiu colocar todas bolas em jogo e desafiou Tsitsipas a matar pontos junto à rede com a corda no pescoço.

Ainda mais relevante do que as 20 vitórias seguidas de Medvedev é o fato de que 12 desses triunfos vieram em cima de tenistas do top 10. A lista de vítimas inclui, além de Tsitsipas, Berrettini, Schwartzman (3x), Zverev (3x), Rublev, Thiem, Nadal e o número 1 do mundo, Novak Djokovic. E tudo indica que Medvedev é mesmo o melhor nome para fazer uma final com o sérvio em Melbourne este ano. Daniil chega confiante, consistente e com a memória da recente vitória sobre Nole no ATP Finals.

Não é o mesmo que bater o sérvio em um slam – muito menos na Austrália, onde ele nunca perdeu uma final – mas é o que Medvedev pode ter a seu favor no momento. Ele tem saques bons o bastante para lidar com as excelentes devoluções do número 1, tem a consistência para ganhar pontos longos, tem uma ótima capacidade defensiva para exigir precisão acima da média do sérvio e, claro, tem a inteligência tática (talvez sua maior qualidade) para usar seus diferentes recursos e encontrar um caminho até a vitória no domingo. Deve ser uma final longa e interessante.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Fonte: https://www.uol.com.br/esporte/colunas/saque-e-voleio/2021/02/19/medvedev-tsitsipas-semifinal-australian-open.htm