Fica a dica: empresas de tec, invistam em saúde mental contra a pandemia

André Noel

Andre Noel é programador, webcartunista, autor do Vida de Programador, professor universitário (UEM e Unicesumar), youtuber e sabe pregar botões em roupas.

30/03/2021 04h00

A saúde mental tem entrado em pauta nos últimos tempos, mais do que antes. A pandemia tem atingido globalmente a saúde mental das pessoas e tem sido inevitável entrar no assunto.

São diferentes as formas em que somos afetados. Ficar em casa sem poder sair afeta a saúde mental. Sair de casa para trabalhar em um ônibus lotado todos os dias tentando se proteger de um vírus invisível afeta muito a saúde mental. Limpar todas as embalagens das compras com álcool em gel e depois limpar as próprias mãos umas cinco vezes seguidas afeta a saúde mental.

Sem entrar na questão de que já vivemos em um país cujo dia a dia estraçalha com a nossa saúde mental. As desigualdades, a falta de oportunidade de curtir do fruto do trabalho, as demais doenças que já enfrentávamos como a dengue e outras, os índices de violência e preocupações cotidianas ao sair nas ruas. Não estávamos em uma situação tranquila antes de iniciar essa pandemia.

Entre os programadores, nós brincamos dizendo que para nós é mais fácil, já que não há uma boa saúde mental para quem está na área. Pena que, infelizmente, essa é uma forma “brasileira” de maquiar o que está ruim para conseguir levar melhor a vida e ignorar questões que a gente não quer mexer.

Em geral, a saúde mental tem ficado em segundo plano (para ser generoso) em nosso país. No final de 2020, mesmo em meio a tudo isso, vimos uma ação forte do governo contra políticas de saúde mental, diminuindo recursos e revogando conquistas em tratamentos que haviam sido garantidas antes.

Na contramão, vemos pessoas contra a ciência e contra esses tratamentos usarem a saúde mental como desculpa para você não ficar em casa, para você socializar, ir a restaurantes, festas, etc. Ou seja, a saúde mental não é algo sério para o país, mas é algo sério no individual, no bom e velho “se vira para cuidar de você”.

Esquecendo, então, um pouquinho das políticas públicas, vamos pensar realmente em você. Como está a sua saúde mental? Como está o seu nível de estresse? Como está o seu esgotamento frente a tudo isso que já estamos falando há um ano: aumento de demandas ao trabalhar em casa, o confinamento em si, a ameaça diária de um vírus, o cuidado com você e com seus familiares menores ou idosos.

Como estou mais em contato com a área de T.I., é nela que me baseio em muitos exemplos. Vejo que algumas empresas têm se esforçado em manter uma comunicação aberta com os funcionários para entender as necessidades. Porém, vejo também vários relatos de empresas que não conseguem ainda lidar com as questões de trabalho remoto e estão trazendo mais peso ao trabalho com inúmeras reuniões, excesso de cobrança de produtividade, corte de pessoal supostamente devido à pandemia.

Ainda que você não esteja num ambiente propício, você precisa cuidar de sua saúde mental. Vejo pela minha esposa, que é psicóloga e tem atendido de forma remota, como a procura por ajuda para manter uma boa saúde mental tem aumentado e como é importante você ter alguém que possa caminhar contigo para ajudar.

E para as empresas, algumas fornecem como benefícios o auxílio a uma terapia para os funcionários. Àquelas que não fornecem, poderiam pensar com carinho na possibilidade, pois a própria Síndrome de Burnout, pela qual passam muitos profissionais de T.I., pode ser enquadrada também como acidente de trabalho.

Não é fácil, mas desejo que vocês tenham uma boa saúde mental em meio a tudo isso, que tenham tempo para descansar e uma ótima semana a todos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Fonte: https://www.uol.com.br/tilt/colunas/andre-noel/2021/03/30/um-ano-em-pandemia-como-vai-a-sua-saude-mental.htm