A estratégia de todas as marcas chinesas de apostar em carros elétricos e híbridos mexeu com o mercado brasileiro e as demais fabricantes precisam se mexer. A Stellantis admite isso e diz que vai acelerar seus planos de eletrificação na América do Sul.
Em sua primeira entrevista no cargo, o novo presidente da Stellantis para a região, Herlander Zola, confirmou que o processo de eletrificação, iniciado no ano passado com Fiat Pulse e Fastback, será intensificado a partir de 2026.
A ofensiva responde diretamente à rápida adoção de modelos híbridos no mercado brasileiro, que avançou em ritmo superior ao que a própria empresa esperava. “Vamos ter soluções de hibridização em todas as vertentes e em todas as nossas fábricas”, garantiu Zola.
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“Precisamos e vamos agir com urgência”, continuou o executvo ao falar sobre o tema, destacando que o plano é a eletrificação “quase imediata” de todas as marcas da empresa.
Até o momento, apenas Fiat, Peugeot e Jeep oferecem carros híbridos no país, sendo que os dois primeiros utilizam a tecnologia híbrida leve produzida em Betim (MG). Já a Jeep importa os modelos Compass 4xe e Grand Cherokee 4xe, ambos com um baixo volume de vendas.

A aceleração dos planos híbridos ocorre num momento em que a Jeep, principal marca de SUVs do grupo, sente a forte pressão da chegada de modelos eletrificados chineses. Zola reconheceu que a busca por híbridos no Brasil foi “maior do que a esperada”.
A visão do novo presidente é que os eletrificados (somando híbridos e elétricos) deverão superar os veículos a combustão nas vendas da Stellantis, e também no mercado total, em um cenário de cinco anos.
O executivo ainda indicou que a Stellantis começará a investir em híbridos plenos e plug-in no país. A estratégia Bio-Hybrid já previa a introdução de diversos níveis de hibridização nos carros nacionais, porém a empresa vinha focando na oferta dos híbridos leves em veículos mais baratos.

O primeiro passo dessa nova fase é a estreia da Leapmotor. A marca chinesa, parceira do grupo, desembarca no Brasil ainda esta semana.
Mais importante que a estreia, Zola admitiu que a produção local da Leapmotor está sendo avaliada seriamente. “Sabemos da importância da localização e vou me empenhar pessoalmente para termos produção da marca aqui. Não há uma decisão tomada, mas estamos estudando com intensidade”, afirmou o executivo.

Para 2026, a novidade será o inédito Jeep Avenger, um SUV de entrada posicionado abaixo do Renegade tanto em tamanho quanto preço. Já chegará com uma versão equipada com o motor 1.0 turbo e o sistema híbrido leve, com a diferença de usar a tecnologia de 48V, mais eficiente do que o sistema de 12V que está no Pulse, Fastback, 208 e 2008.
As novidades não se limitam à eletrificação. O presidente confirmou que um carro “totalmente novo” da Fiat será lançado já no próximo ano.
Além disso, a fábrica de Goiana (PE) — atual berço dos Jeep Compass, Commander, Renegade e da Ram Rampage — será atualizada para incorporar uma “nova marca” ao seu portfólio de produção, ainda mantida em sigilo. Como adiantado por QUATRO RODAS, tudo indica que será a Peugeot, com a produção do novo 3008, que compartilha a plataforma STLA Medium com a nova geração do Compass.
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Apesar da nova concorrência, Zola destacou a performance do grupo. Entre 2019 e 2024, a participação de mercado da Stellantis no Brasil saltou de 20,4% para 29,5%. No mesmo período, concorrentes tradicionais como a General Motors caíram (de 15,6% para 10,6%), enquanto as marcas chinesas cresceram de 0% para 10%.
“Se alguém ganha, alguém perde. Nós ganhamos, o que mostra que estamos no caminho certo”, pontuou Zola. A meta para a América do Sul este ano é superar a marca de 1 milhão de veículos vendidos.



